terça-feira, 4 de agosto de 2009

FERINO & FRUSTRADO

Durante muitos anos, desde antes da internet, eu imaginava um espaço onde pudesse escrever sobre as hipocrisias cotidianas. No final da década de 1990, por 1 ano escrevi artigos para a revista INTERNET BR onde procurava mostrar que esse negócio de web era fantástico, mas não era panacéia de soluções imediatas para tudo. Fiquei sem espaçao quando a revista teve morte cedo e súbita quando inda engatinhava.

Em 1997, na homepage do meu saite, escrevia que NESTE MEIO, EU SOU A MENSAGEM e com o surgimento da solução de blogs, onde todos podem ter seu próprio meio de comunicação para expor sua opinião, me senti estimulado a criar o FERINO DE MAIS, personagem paladino da luta contra a hipocrisia. Neste agosto de 2009, ao completar 8 meses, com 28 comentários postados, estou reduzindo o ritmo de postagens para "só quando muito relevante para outras pessoas". Os Senadores, em especial seu maior representante, Sarney, colocaram um ponto-final na minha atenção (que era mínima) para com políticos e política no geral. Se já não sintonizo mais meu rádio em qualquer emissora de notícia, se já não abro o jornal para não ter que dar de cara com as manchetes, a partir de hoje estou tirando isso da minha vida. Minha opinião sobre políticos é a mesma há 20 anos, não mudou agora, mas eu achava que podia contribuir de alguma maneira expondo as hipocrisias que eles nos enfiam pela goela. O que mudou é que agora tenho certeza de que estou fazendo papel de bobo.

Então, ponto e vírgula. Vou me dedicar a coisas mais práticas, mais do meu dia-a-dia e, talvez, do seu também. Estou criando um novo blog para falar deste mundo novo, do mundo plano, da wikiconomia, da economia digital, eletrônica, cada vez mais telewireless-onipresente. Ferino continua vivo, mas ligado em coisas mais úteis à nossa vida.

Para o mundo novo, assim que tiver o primeiro comentário, dou notícias, indico o caminho.

Sucesso de vida a todos!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

BOLSA DA HIPOCRISIA

Em março, depois de alguns anos longe para desintoxicar dos traumas, voltei ao mercado de ações. A razão para o desatino: diversificação de investimentos para redução dos riscos, ou seja, masoquismo. Não voltei à galega, sem mais nem menos. Consultei amigos, pedi orientação, indicações de fundos etc. Minha caixa de mensagens ficou lotada de relatórios, análises, dicas etc.

Tentei, juro que tentei, ler alguma coisa, aprender um tiquinho que fosse, mas não consegui. Cadastrei-me em uma corretora que oferece o recurso de "home broker" (o corretor é você, de casa, via micro & internet). Comprei bem e mal, vendi pior, mas entre compras e vendas até que, por enquanto, estou em vantagem.

Neste jogo (para os desavisados, isto é um jogo), comecei a perceber que as previsões dos especialistas viravam pó no dia seguinte, na semana seguinte, ou, no máximo, no mês seguinte. No início do ano, com o IBOVESPA em 37 mil pontos, acreditei na dica que o expert deu em sua participação no programa de rádio: esperar chegar aos 30 mil pontos para fazer qualquer compra. Desde então a bolsa não parou de subir (está, hoje, em 50 mil pontos).

Depois, quando passou dos 52 mil pontos e começou a cair, a administradora de um dos fundos me disse que os técnicos indicavam esperar cair até 46 mil pontos. Até hoje não baixou dos 50 mil.

Mas a gota d´água foi o conteúdo no link "Análise Técnica" para o dia de hoje, 6 de julho de 2009, no site da corretora,. Vejam se não é uma gracinha!

Sobre o IBOVESPA
"(...) O mercado tem espaço para continuar a trajetória de realização onde a onda C de baixa na contagem das ondas de Elliot completa a formação do segundo Ombro da sequência Ombro-Cabeça-Ombro por volta dos 49.600 pontos. Apresenta um suporte intermediário em 50.260 pontos. O volume financeiro fechou em R$1.67 Bilhão (...). Estocástico Lento vendido em 62%."

Não é um primor? Tem mais.

Sobre as ações PETROBRAS PN
"Fechou sem confirmar o Martelo que é figura de reversão altista pelo gráfico japonês. A formação do Dia Chave de Reversão, figura de reversão como o nome diz [ainda bem que explicou!!!], pela teoria de Dow também não confirmou, mas pode estar por outro lado formando uma ilha de Reversão. Testou e respeitou mais uma vez a retração de 38.2% do estudo de Fibonacci no forte suporte em 31.00 que também é o suporte da onda 4 de Elliot. Com este último pregão de queda do papel praticamente atingiu o objetivo da onda C de baixa na contagem das ondas de Elliot completando a formação do segundo Ombro da sequência Ombro-Cabeça-Ombro ("olha ele aí outra vez, gente"!!!). O objetivo da onda C de queda é a Linha de Pescoço [deixa o meu de fora disso, pelamordedeus!], por volta de 30.60 e a mínima foi em 30.90 e reverteu. (...) Estocástico Lento [também aqui!?] vendido em 26%."

A verdade é uma só: se alguém pudesse prever alguma coisa, o mercado simplesmente implodiria e, consequentemente, não existiria.

O mercado de ações só existe e subsiste porque é um imenso cassino de apostas. E como em todo cassino, não há previsão possível de onde a bolinha vai parar, nem quando, ao acionar a alavanca, as moedas irão cair. Estes diagnósticos do absurdo são apenas como as avaliações de aroma feitas pelo Renato Machado para os vinhos que ele degusta: hipocrisia pura para enganar otário. Tire da bolsa da Bolsa todas as hipocrisias e o que vai sobrar serão muitos pequenos investidores (galinhas) fazendo a riqueza de poucos grandes e, algumas vezes, espertalhões investidores (raposas).

P.S.: Ah! Aos amigos que discordam: as exceções, se existirem, o que eu duvido, só confirmarão a regra.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

ECOJOGO, UM GOLAÇO!

Em 8 de abril escrevi: "Enquanto os governos não assumirem a responsabilidade de liderar o processo", me referia a atitudes como conseguir a padronização dos carregadores de celular, "o crash ecológico virá do mesmo jeito."

Bem, parece que tem mais gente pensando assim. Em respostas às pressões da União Européia, hoje, 29 de junho, 10 indústrias responsáveis por 90% do mercado de celulares, anunciaram ter assinado "de forma voluntária um memorando" onde se comprometem a produzir um carregador "universal" a partir de 2010. Mais promissora ainda é a afirmativa do porta-voz da UE, Günter Verheugen, de que o objetivo "é que todos os equipamentos eletrônicos tenham um único carregador universal em um prazo de cerca de dois anos". Sendo mais claro: um só tipo de carregador para celulares, câmeras fotográficas e computadores portáteis.

Isto sim é atitude ecologicamente correta e de efetiva relevância para o planeta e nossa sobrevivência nele. O resto, repito, é hipocrisia.

E nossos governantes, o que estão fazendo? Por que não promovem um forum nacional com as indústrias para estabelecer que sempre que houver produção de lixo eletrônico, este seja minimizado pelo estabelecimento de padrões? Que tal também dar uma olhada na proliferação de tamanhos/formatos de pilhas alcalinas e baterias? Que tal o governo promover um forum para descobrir um modelo de negócio para a coleta de pilhas e baterias de modo a fazer a roda girar tal como gira na coleta de latinhas de alumínio?

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A BURCA DE SARKOZY

"Na França, o presidente Nicolas Sarkozy causou polêmica ontem (...) ao dizer que a burca não é bem-vinda no território francês."

Sarkozy quer proibir o uso do traje nas ruas do país. Não é o primeiro de seus arroubos fascista, não será o último. Ele já disse outras asneiras. Ele, Berlusconi e Hugo, o amigo de Lula, poderiam montar uma confraria, a das bestas que têm o rabo no lugar da cabeça, e vice-versa.

A burca é ícone de uma cultura e símbolo unificador de expatriados por guerras e subdesenvolvimento. A burca incomoda porque lembra a Sarkozy tudo que franceses, e europeus em geral, têm perdido sistematicamente. A sociedade dos felizes e subsidiados agricultores não é mais possível. Sentir isso no dia-a-dia dói e dá medo.

A felicidade de Sarkozy e dos franceses que ele representa, seria extirpar do território francês 5 milhões de muçulmanos para sobrar um quinhão maior da economia decadente para os nativos. Seguir por este caminho não só não resolve como potencializa o problema. Antes ele tinha um incômodo, agora tem uma guerra em suas próprias terras, porque incentivou aqueles milhões que aceitam fazer o trabalho que os nativos não querem a se unirem para a luta. Para Sarkozy, fundamentalismo imbecil se rebate com fundamentalismo imbecil. Será que vai adiante em seu intento? Quais serão seus métodos 70 anos depois das técnicas e do insucesso de Hitler?

Infelizmente não vai parar por aí. Nem as perdas, nem a imigração que nada mais é que o exercício do direito da espécie humana de se mover em busca de condições de sobrevivência. Como Sarkozy não é mulher muçulmana, não sabe que a burca é para impedir a cobiça, protegê-la do olhar do outro. Ao contrário, ele a usa para não ver, para esconder de si mesmo a verdade de sua própria cobiça.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

DIPLOMA DE ARTISTA?

Os jornais de hoje dão conta de que o STF detonou a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista. As empresas jornalísticas aplaudiram, compromissadas que são com a qualidade da informação e não com diplomas. A Federação dos sindicatos dos jornalistas, compromissada em preservar o cartel - afinal este é o objetivo mór de qualquer entidade sindical -, achou um "desastre" por não estar interessada no padrão do conteúdo gerado pelo seus representados. Nada de novo.

De novo apenas a esperança que se abre para uma infindável lista de pessoas que, por não atenderem às exigências regulamentares do cartel, ou não expressam suas competências ou atuam na clandestinidade. Listo algumas pelo critério do non-sense:

  1. Arquivista/Técnico de Arquivo - Vou dispensar minha assistente que arquiva os documentos com os quais lido no dia-a-dia.
  2. Empregado Doméstico - Infelizmente a diarista lá de casa vai dançar.
  3. Enólogo - Será que precisamos pagar ao maitre para receber a indicação de um bom vinho?

  4. Estatístico - Regina, que sempre começa suas dicas de saúde com um "a estatística já provou que", a qualquer hora dessas vai em cana.
  5. Mãe Social - Até Mãe Social!!!??? Seja lá o que isso for!
  6. Massagista - Não está claro se abrange as/os que vão a domicílio ou só as/os que exercem a profissão em "casas de massagem".
  7. Publicitário - Xiiiiiiii!!!!! Acho melhor mudar de assunto.
  8. Servidor Público - Ah! Essa profissão sim, deveria ser exclusivamente daqueles que provassem, comprovassem, espírito público, educação, sensibilidade para as agruras do povo, HONESTIDADE, probidade e por aí. Meu voto por uma revisão desta regulamentação para que seja mais rígida e que as punições sejam exemplares para quem a desrespeitar!!!
Deixei para o final a categoria que mais me deixa indignado porque, de vez em quando, dou uma de escritor ou fotógrafo. Você sabia que a profissão (profissão?) de artista é regulamentada? Que, de acordo com a Lei 6.533, de 24 de maio de 1978, editada, portanto, em pleno regime militar de "abertura", para cantar nos "palcos da vida" ou na quadrilha do arraiá de São João, pintar suas aquarelas, esculpir sua sensibilidade, expor sua alma e sua visão de mundo, é preciso diploma ou atestato de capacitação? Veja as 3 possibilidades de acordo com o Art. 8º da lei citada:

I) diploma de curso superior de Diretor de Teatro, Coreógrafo, Professor de Arte dramática, ou outros cursos semelhantes, reconhecidos na forma da Lei.

II) ou diploma ou certificado correspondente às habilitações profissionais de 2º grau de Ator, (...)

III) ou atestado de capacitação profissional fornecido pelo Sindicato representativo (...)

Este é o Brasil que obrigatoriamente terá que se rever se desejar crescer/sobreviver neste mundo plano sobre plataforma wiki, onde, literalmente, qualquer um pode contribuir com sua parte para a produção do que quer que seja.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ó MEU SENADO!

"Brasil, meu Brasil brasileiro" cantou Ari Barroso. "Terra boa e gostosa" e "Terra de Nosso Senhor" ele nos garantiu. Foi, é, uma exaltação às nossas raízes negras, resultado miscigenado em mulatice. Mais adiante ele confessa que "é o meu Brasil brasileiro" infelizmente limitado a "Terra de samba e pandeiro".

Será que Ari Barroso já era um desencantado da nossa política como meu avô (da mesma geração) e encantado apenas com nossa cultura popular?

A questão é: entra samba, sai samba, a festa da corrupção, da sem-vergonhice, da canalhice política continua e continua e continua.

E nós, vamos continuar apenas acreditando que esses caras um dia mudam por obra do sobrenatural? Ou não nos sobra em quem depositar nosso voto, nossa confiança? Em quem apostar nossas minguadas esperanças?

Ó meu Senado, o que fazes do Brasil?

terça-feira, 19 de maio de 2009

INFORMAÇÃO É NADA, CONHECIMENTO É VALOR

Informação é nada, conhecimento é valor

"No mundo do excesso de informações, precisamos valorizar cada vez mais o espírito crítico. É impossível que um jovem de 15 anos consiga discriminar a qualidade das informações por conta própria. É ingenuidade acreditar no contrário. Não sou crítico às novas tecnologias, e acredito que esta sociedade seja marcada por uma intensa profusão de conhecimento, como nenhuma outra da história. Ao mesmo tempo, temos a sensação de crescimento da insignificância. Há muita informação, mas ninguém se importa com ela."

O texto acima é parte do que disse Sébastien Charles, ao Meio & Mensagem de 18 de maio. Sébastien é francês, intelectual, autor de Cartas sobre a Hipermodernidade e uma das maiores referências da filosofia atual. Entre suas abordagens estão a falência das utopias e o desenvolvimento da cultura individualista, centrada no presente, que privilegia a autonomia, o consumismo e o hedonismo.

Pelo que venho dizendo a tempos, aqui e fora daqui, isto soa como "música aos meus ouvidos".

Até antes da web, o acesso à informação era difícil e caro. Em consequência, qualquer informação tinha valor. Hoje, quando qualquer humano minimamente alfabetizado se conecta à rede (em casa, trabalho ou em uma "lan house") e obtém informação sobre qualquer coisa, a informação não vale nada. Absolutamente nada. Da hora de um evento cultural aos efeitos colaterais de uma medicação, passando pela situação econômico-financeira de uma empresa com ações em bolsa, a informação está à disposição pelo custo do tempo gasto na conexão para obtê-la. Não sem razão, portanto, o direito autoral perde o sentido quando toda a informação está na rede.

Na contramão da desvalorização da informação, cresce vertiginosamente o valor do conhecimento, que é a informação corretamente aplicada. Mas isto só se consegue com reflexão - que é o ponto para o qual Sébastien Charles chama nossa atenção - e prática (experiência). E aí é quando você percebe que a especialização, o foco num segmento do conhecimento humano - e não mais em uma área - é o pulo do gato.

Tire os fones dos ouvidos. Esqueça o Twitter. Leia mais. Reflita mais. Elabore mais. Especialize-se. Pense nisso.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

HELENA, HELENA, HELENA!

Ficou surpreso quando o senador Eduardo Suplicy - a própria imagem da probidade, da honestidade - declarou que fez uso indevido de sua cota de passagens aéreas? Ficou de queixo caído, babou na gravata, ao ler a manchete de que a senadora Heloisa Helena - imagem da inocência, das boas intenções, da correção de caráter - também está envolvida por ter cedido ao filho algumas passagens? Nada a estranhar. Se fuçar encontra outros abusos de poder que ela, ele e outros parlamentares cometem todos os dias.

Lidei com políticos para nunca mais. Não é que não haja honestidade, é que a deles é diferente da minha, da sua. Antes de eleitos são humildes, servidores, pedintes do seu voto. Eleitos, se consideram eleitos pelos deuses, não por você. Consideram-se escolhidos pelo destino, pelo "cara" lá de cima para ser o "cara" aqui de baixo, diria Romário. Quem afinal quer passar pelo que eles passam para representá-lo diariamente (de 3ª. a 5ª.) no Congresso Nacional? Está você disposto a correr semanalmente o risco de uma viagem de avião para Brasília? E que dirá do risco de não ser reeleito e ficar desempregado?

Você precisa entender que eles são pessoas especiais, mais especiais que você porque abnegadas por você, que abrem mão todos os dias do conforto próprio para lutar por dias melhores para você. Será que você não entende que isto lhes dá direito a certos pecadilhos, a certas benesses que não podem ser ditas abertamente? Ou você prefere que eles apareçam na mídia comunicando que estão mandando mulher e filhos para Paris, Disney ou Dubai, com passagens pagas por todos nós, os contribuintes patrocinadores da regalia? De minha parte recorro a César, o Imperador, e Taiguara, o cantor.

“Até tu” Suplicy? “Helena, Helena, Helena”, que andas fazendo com o mandato que lhe dei!!!???

quarta-feira, 6 de maio de 2009

VAMPIRO BRASILEIRO

Muito já se falou sobre o fato do Brasil ser um dos piores países para se abrir uma empresa, seja pelo tempo, seja pela lista de obrigações a cumprir, seja pelo custo de tudo isso. Mas eu acabei de viver a outra ponta desta moeada ao decidir fechar uma loja no final de 2005.

Foram 1.275 dias entre o encerramento das atividades e a última certidão de baixa da empresa. Três anos e meio para uma empresa totalmente isenta de débitos fiscais e tributários de qualquer espécie. Foram R$ 5.500,00 de honorários e taxas pagos ao longo deste tempo.

Este é exemplo real do princípio que rege a relação do estado brasileiro com seus cidadãos: somos todos, por premissa, potenciais inadimplentes com nossas infindáveis obrigações tributárias e fiscais. Somos nós os responsáveis pela incapacidade do estado em saber que já pagamos o que devíamos. Na sua incapacidade, os órgãos do estado emitem Certidões Negativas de Débitos com a seguinte absurda ressalva:

"Ressalvado o direito de (identificação do órgão emissor) cobrar e inscrever quaisquer dívidas de responsabilidade do sujeito passivo acima identificado que vierem a ser apuradas, é certificado que não constam pendências em seu nome relativas a (identificação do tributo objeto do pedido) (...)".

Este é o "vampiro brasileiro", lembrando o personagem de Chico Anísio.

terça-feira, 21 de abril de 2009

IMAGÉTICO INTANGÍVEL

Estou lendo "A Nova cultura do Desejo", de Melinda Davis, antropóloga por formação, consultora de marketing por profissão. A proposta é discutir, destrinchar, entender as consequências dessa era de preocupações imagéticas que nos domina 24 horas por dia. Para quem está ligado nisso, é uma excelente leitura.

Mal cheguei a um terço do conteúdo, mas uma relação de questões me chamou a atenção. Por curiosas e frequentes no nosso cotidiano, reproduzo-as para você com a introdução feita pela própria Melinda.

"Novos desafios tomaram conta de nossas vidas mais rápido do que nossa capacidade de desenvolver e assimilar novas estratégias para enfrentá-lo. Tentamos A, tentamos B, tentamos C, tentamos D, ainda buscando na realidade antiga uma orientação, para então descobrirmos que não podemos mais dominar um mundo que não responde aos nossos antigos métodos.

- Como lutar contra uma voz gerada eletronicamente e derrubá-la?
- Como frear uma mensagem eletrônica nascida do éter?
- Como desviar na sua passagem uma cópia de arquivo transmitido a você?
- Como dar um soco no nariz de uma comunicação enviada pela Internet?
- Como confinar uma fobia dentro de uma cerca?
- Como controlar uma multidão do ciberespaço?
- Como deter uma invasão invisível?
- Como acelerar a linha de produção de uma idéia?
- Onde armazenar produtos intangíveis?
- Como jogar areia no rosto de um perseguidor implacável invisível?
- Como acomodar-se no melhor canto do escritório de uma empresa virtual?
- Como reaver uma identidade roubada?
- Como travar uma guerra real contra um inimigo cuja natureza não é territorial mas ideológica?"

Acrescente à lista da Melinda a sua pergunta-angústia. Deixo a minha: como saber quem realmente eu sou apenas lendo os textos que publico neste blog?

Quanto de hipocrisia precisamos usar para contornar estes obstáculos?

Contador

Seguidores